Irrelefante

A Capcom anunciou uma versão de Resident Evil 7 para o Nintendo Switch. É necessariamente diferente daquelas do PlayStation 4 e do Xbox One: não porque o jogo foi visualmente capado (como Doom, L.A. Noire e Skyrim), mas porque ele é um streaming.

Resident Evil 7: biohazard Cloud Edition parece ser mais um experimento por parte da Capcom por enquanto. Anunciado apenas para o Japão por enquanto, o jogo requer conexão com a internet constante (e, pelo visto, bem boa) pra que tu possa jogar o streaming dele de forma aceitável.

O que me fascina é quanto essa ideia cai bem com o Switch, e como ele parece ser a plataforma mais fundamentalmente errada pra ele. O Switch não tem sinal de celular, só se conecta por wi-fi (Ethernet só através de adaptadores) e é feito pra tu sair na rua jogando. RE7 Cloud parece ser um jogo apenas pra sua sala de estar, então — aquele ícone que vai ficar inacessível pra ti na tela Home enquanto tu pega o trem pro trabalho, mesmo que aqueles 40min sejam perfeitos pra tu matar uns zumbis.

Eu quero muito ver como esse jogo vai funcionar, e eu espero que sua performance seja boa e compense. É uma boa forma de adaptar os catálogos dos outros videogames mais poderosos pro magrelo da Nintendo — mas é algo que seria fundamentalmente melhor em um futuro Switch 2, se esse aceitasse sinal de celular. RE7 Cloud é, no final das contas, como o próprio Switch: um experimento pra que no futuro as duas tragam algo melhor.

Os filmes de Cannes que eu quero ver, edição 2018

Todo ano eu fico meio assim com Cannes, porque lendo a lista dos selecionados nada parece muito empolgante. “Ah, um novo do Von Trier! Quanto será que ele vai me irritar agora?” foi a reação mais forte que eu tive ao conferir a lista no início do mês. Agora que o festival acabou, que o Notebook já viu de tudo e postou notas sobre eles, eu começo a ficar interessado nas coisas tudo e preciso correr atrás.

Pra me organizar e acompanhar esses filmes, aí vai a lista do que eu quero ver de Cannes esse ano:

Competição:

  • Everybody Knows: o novo do Asghar Farhadi com Pelenope Cruz. Abriu o festival com críticas mornas, mas eu não consigo não me empolgar pra um novo do Farhadi. Ou da Penelope Cruz. Parece uma delícia de assistir.

  • O Livro de Imagens: eu lembro quando fiquei sabendo que Filme Socialismo tinha sido selecionado pro Un Certain Regard e tinha me deixado completamente fascinado pelo trailer. Eu vi o filme com o João no laptop no meio de uma aula de programação. Mal posso esperar pra ver esse (que levou uma Palma especial???).

  • Sorry Angel: eu só li sobre esse filme hoje, mas é um conto gay do Cristophe Honoré que não fez muito barulho. Exatamente o meu tipo de filme.

  • Shoplifter: assistir o vencedor da Palma é sempre obrigatório. Esse ano que parece que eles finalmente deram a Palma pro merecedor (algo que não acontecia desde o quê, 2011?), finalmente é empolgante. Kore-eda é lindo sempre, vamo ver esse aqui.

  • Under the Silver Lake: foi bem mal recebido mas eu gosto muito do It Follows então ok.

  • BlacKkKlansman: puta merda se esse filme não parece tudo o que eu sempre quis ver do Spike Lee e que ele chegou muito perto com Chi-Raq.

  • Guerra Fria: o novo filme do diretor de Ida parece lindo e muito triste, bem o que eu gosto mais em Ida.

  • 3 Faces: Panahi homenageando Kiarostami? Muito minha cara.

  • Feliz como Lazzaro: o mais intrigante da competição e que parece lindo. Vai ser lançado por aqui pela Netflix e eu tô triste.

  • The Wild Pear Tree: o novo do Ceilan (que ganhou a Palma em 2015) fechou a competição e não fez muito barulho. Mas tem quase três horas e todo filme dele é como assistir uma homilia. Lindo, misterioso e que fica na tua cabeça por algum motivo indefinido.

Fora de competição e exibições especiais:

  • A Casa que Jack Construiu: eu não tenho interesse nenhum em um filme que o Von Trier parece embelezar sua própria misoginia, mas ao menos isso vai dar uma boa sessão + cerveja com o Erê.

  • O Grande Circo Místico: do Carlos Diegues. Parece lindo.

  • Dez Anos na Tailândia: novo do Joe & amigos, caralho.

  • Fahrenheit 451: vai vir pro HBO, é claro que eu vou ver.

Un Certain Regard:

  • Long Day’s Journey Into Night.

  • Chuva é Cantoria na Aldeia dos Mortos: levou o prêmio do júri e foi o queridinho da crítica esse ano. Que orgulho.

  • Dunbass: o novo do Loznitsa (eu ainda quero assistir o Uma Criatura Gentil dele, esquecido na competição do ano passado) é simplesmente o filme que eu mais quero ver de Cannes esse ano.

Semana da Crítica:

  • Wildlife: esse filme do Paul Dano parece bom demais pra ser verdade.

Quinzena dos Realizadores:

  • Pássaros de Passagem: novo filme da equipe de O Abraço da Serpente, um dos meus filmez favoritos dos últimos anos. Um drama familiar no meio do conflito do narcotráfico colombiano. Parece lindo.

  • Climax: o novo do Gaspar Noé que tão dizendo ser o melhor dele!!!!

Bastante coisa esse ano. Queria ter visto um James Gray ou uma Claire Denis nessa lista também, mas ainda tem Veneza, né.

Resumo da semana no. 1

Essa semana eu comecei a trabalhar (!!) depois de quase cinco anos sendo um reles freelancer fazendo sitezinhos bacanas por aí.

Isso significa que eu não consegui assistir tantos filmes como eu andava assistindo ultimamente, pra minha tristeza (mas ei, agora eu vou ter dinheiro pra ir no cinema, eventualmente!). Como eu ficava bem cansado quando eu chegava em casa (mas essa semana provavelmente vai ser bem mais tranquilo), eu acabava assistindo apenas um ou dois episódios do meu remédio pra viver, Gilmore Girls, mas me dediquei esse final de semana a ver só coisa boa:

  • Jacquot de Nantes (Agnès Varda, 1991): uma homenagem da Varda pro seu marido falecido no ano anterior, Jacques Demy. É, como qualquer outro filme da diretora, uma delícia de assistir: cheio de adendos dela sobre como Demy se relacionava com as memórias de sua infância, e um verdadeiro sentimento de saudade. Recomendo muito, mas corre que sai do MUBI amanhã à noite.

  • Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, 1975): uma das obras primas da Akerman, esse filme de mais de três horas olha com um cuidado quase cirúrgico pra rotina da personagem título. É fascinante ver como, mesmo observando cada detalhe dela e dos seus afazeres, a gente acaba sabendo tão pouco sobre quem ela é e o que ela pensa. E sobre como ela se vê dentro daquela casa. Entrou no MUBI essa semana, mas aproveita uma folga pra assistir.

  • Close-up (Abbas Kiarostami, 1990): o mais aclamado filme de Kiarostami, e eu acho que talvez a mais incontestável obra-prima dele. É um lindo retrato de um homem que queria ser outra pessoa — como todos os personagens de Kiarostami querem — e que acaba encontrando na mentira um atalho pra descobrir uma verdade. É um dos meus filmes favoritos.

Essa semana quero ver mais! Tem dois do Fellini, mais Lean on Pete, do meu querido Andrew Haigh. E preciso jogar mais Zelda, tô com saudade de Hyrule.

Poucos sabem mas eu tuito muito., O curioso é que nunca pelo Twitter. Quer dizer, até ser descontinuado em março eu tuitava pelo aplicativo oficial do Twitter para o macOS, meu aplicativo favorito desde 2010.

Desde março eu uso o Tweetbot, tanto pra macOS quanto pra iOS. Eu tenho meus poréns mas no geral é um baita app — desenvolvido cuidadosamente e com qualidade em cada detalhe. Quando ele me irrita, é geralmente porque ele oferece mais recursos no meu caminho do que eu realmente preciso.

Parece que vão ter mais recursos agora, porque a nova versão do Tweetbot foi lançada. Eu gosto da maioria das mudanças, mas a UI tá ainda mais superpopulada de “recursos”. Vou demorar um bocado pra me acostumar de novo.

Nessa ultima semana eu fiquei estudando uma maneira de como postar no blog pelo iPhone, agora que uma boa parte dos meus dias vai ser na estrada.

E pelo visto eu consegui!

Vou postar um pequeno tutorial ainda hoje explicando como eu fiz isso, pra quem quiser experimentar ou expandir a ideia. Aprendi um bocado sobre como os apps se relacionam no iOS com isso.