Sobre tirinhas e sanduíches

Isso é um post sobre um post. Um meta-post, como o Abed diria em Community.

Eu escrevo vários posts pro Pão com Mortadela ao mesmo tempo. Eu tenho uma pasta no iCloud e fico trabalhando em vários posts alternados. As vezes eu tô com vontade de escrever sobre uma série e as vezes eu lembro de um detalhe de um filme que vale um post, e quando eu acho que um deles tá suficientemente bom eu agendo pra quarta-feira seguinte. E assim continuo trabalhando neles.

O post de ontem, Como as tirinhas salvaram a minha vida, é um dos que eu trabalhei por muito tempo (relendo ele agora vi que precisa de umas revisões!). E mesmo depois de pronto, há umas duas semanas, eu deixei guardado. Esse é um post importante pra mim, na verdade, e eu precisava ficar em paz com a ideia de ele existir pra então publicar ele. É a primeira vez que eu escrevo algo sobre o que aconteceu comigo nesses dois últimos anos, o porquê de eu ter desaparecido da vida de várias pessoas e me exilado da vida.

Mas eu acabei achando conforto em coisas muito pequenas nesse ano. Quando eu realmente me afundei no isolamento, no ano passado, eu parei de escrever completamente. Eu tava ficando cada vez mais insuportável dentro da minha própria cabeça e foi assim que eu decidi voltar com uma coisa que eu sempre gostei muito de fazer: escrever no PCM.

Nos últimos dois anos eu escrevi pouquíssimo no PCM. Em 2018 eu só escrevi um único post. Minha grande meta desse ano era manter alguma certa regularidade. Na maior parte do ano eu consegui, publicando um post por semana todas as quartas. Isso tem sido bastante terapêutico pra mim. Eu passo meus finais de semana escrevendo sobre algo que eu assisti, li, joguei ou ouvi durante a semana, e esse processo acaba me esclarecendo alguns detalhes sobre mim mesmo que eu acho que eu perdi de 2017 pra cá.

Tá sendo um processo de redescoberta interessante esse. O PCM existe desde 2012 e há muita coisa que eu escrevi ali antes da minha crise, e agora eu quero que exista bastante coisa depois também. O post de ontem é importante pra mim porque é um ponto de virada, eu acho: a partir daqui, meus posts são mais pessoais. Eles ainda são sobre aquilo que eu gosto ou algo que eu descobri na última semana, mas eles servem tanto pra informar quanto pra eu entender algo sobre mim mesmo.

Acho que foi bacana eu escrever sobre tirinhas por causa disso. Foi uma das coisas que eu redescobri esse ano, junto com a escrita. Elas também me fazem bem, também me ajudam a me entender e aliviam muito da ansiedade com que eu vivo. Eu comecei uma carreira cedo e me iludi ainda mais cedo de que eu podia fazer algo grande ou ir longe. Quando a realidade bateu e eu vi onde eu tava com a minha vida, o baque foi imenso e eu duvidei muito, e por muito tempo, de que eu ia conseguir sair do buraco que eu tinha me metido. Esses últimos meses escrevendo pro PCM, e lendo Peanuts diariamente, me ajudaram a entender que não tem buraco e não tem essa de “ir longe”.

Eu tô reconstruindo minha vida e o meu eu aos poucos agora, e tá sendo divertido e tortuoso ao mesmo tempo. Mas eu não tô mais desesperançoso, e eu tô feliz que tem gente ao meu redor. Desde meus colegas do meu primeiro emprego aos meus amigos do ensino fundamental, eu tenho gente muito especial perto de mim e que me ajudou, mesmo sem saber, a passar por tudo isso. E aquilo que eu criei com o PCM também. É uma pena que eu demorei muito pra enxergar isso, mas eu espero não esquecer mais o quanto aquele blog é especial pra mim.