Irrelefante

Substitutos

Eu tenho uma amiga de muitos anos, a Bibi. Eu conheço ela desde que eu me conheço por gente e, há alguns anos atrás, eu nutria aquele pensamento de que provavelmente passaríamos a vida juntos — como qualquer criança sobre um amigo muito querido.

A Bibi uma vez me falou, naquelas madrugadas em que não dormíamos porque ficávamos o tempo todo conversando (como eu fazia com o Ross também) em que ela me apresentaria artistas que hoje são meus favoritos (lembro até hoje de quando ela me apresentou Janis Joplin), que eu era um bom substituto. Ela me explicou, daquele jeito que a puberdade explica, que o substituto era a pessoa que você tinha naquele momento que perdeu algum amigo e procurava por outro. Ou quando perdemos um amor e procuramos o próximo. O substituto, segundo ela, era quem preenchia a lacuna.

Eu só descobriria há algumas semanas que, obviamente, esse lance de “substitutos” não era dela. A Bibi tinha assistido Tudo Acontece em Elizabethtown e a personagem de Kirsten Dunst diz pro Orlando Bloom que tanto ela quanto ele são ideais pra essa passagem. As pessoas não permanecem ao lado deles. Pra Dunst, isso era bom. Pra Bibi, isso era ruim.

A Bibi foi embora uns dois anos depois de ter me falado isso, se me lembro bem. Que nem outros amigos que tive antes, e depois, ela me deixa muita saudade. Foi quando eu entendi o que substituto quis dizer. Eu continuo falando com ela, mas não com a mesma frequência. Ela fez os amigos dela lá onde o pai dela mora, e eu continuo aqui, com outros amigos. Mas até quando eles vão ser? Quando é que eles vão achar algum amigo melhor, e seguir em frente? Esse é o lado ruim de ser um substituto. O lado bom, porém, compensa. Se todos forem como eu, um substituto guarda todos os momentos. Eu lembro da primeira vez que puxei assunto com o Ross, porque ele usava bem Photoshop. Eu lembro como eu e a Marciele começamos a conversar, no meio da aula do Zé. Eu lembro da Bibi no pré. Que saudade.

Esse lado bom, o da saudade, compensa. Ver seus amigos lá na frente, com aquele trejeito que tu reconhece tão bem, é algo fascinante. Eu nunca esqueci de nenhum deles, e provavelmente nunca esqueça. Só espero que eles também não.