Irrelefante

O que eu assisti ontem à noite é um post rápido todas as manhãs com algumas impressões dos filmes e séries que eu assisti na noite anterior.

O candidado à prefeito de Nova York, Anthony Weiner, dando uma entrevista
em uma praça pública

Weiner (2016)

Uma das coisas que eu gosto em Veep, a comédia da HBO sobre a (agora ex) vice-presidente dos EUA Selina Meyer, é como a graça da série é também extremamente dolorosa. A gente ri da total incapacidade de empatia e da completa falta de conexão com o mundo que a Casa Branca tem. E eu já escutei que Veep, mais que outras séries “sérias” sobre a política dos EUA como The West Wing, é o que há de mais próximo da realidade, tanto em como as coisas operam dentro do congresso americano, tanto do linguajar dos personagens.

Bem, Veep é ficção, mas Weiner é um documentário, quase uma reportagem, sobre como o candidato democrata a prefeito da cidade de Nova York consegue se destruir e se afundar no lodo que ele cria ao redor de si mais e mais, e como ele é incapaz de enxergar o mundo de outra forma que não seja fazendo as pessoas quererem votar nele e comprarem as brigas dele. É um excelente documentário sobre como ele se destrói, claro, mas o filme se transforma em um bom retrato da queda do partido democrata nas eleições de 2016 (o Trump aparece, inclusive, e Hillary é uma presença em todo o filme — é meio que profético).

Vendo hoje, passadas as eleições e com o Weiner até preso, esse é um filme de Huma, e como ela se confronta na ideia de defender sua própria vida do marido e das opiniões externas. Não tem alguém que queira se arrastar para fora do quadro mais que Huma quando as fotos começam a vazar, e é doloroso de assistir ela se afastando mais e mais da vida que ela construiu ao lado de um cara que se afundou completamente e fez questão de levar ela junto.

Assisti na Netflix e eu recomendo muitíssimo, foi uma revisão que me impressionou mais e mais nessa segunda vez.