Irrelefante

O que eu assisti ontem à noite é um post rápido todas as manhãs com algumas impressões dos filmes e séries que eu assisti na noite anterior.

Acabei acumulando o fim de semana, a sexta e a segunda, mas bola pra frente que foi uma cambada de filme bom!


10/08

Duas mulheres se abraçam em uma piscina vazia, com pinturas grotescas nos azulejos

3 Mulheres (Three Women, 1977)

É o filme mais diferente que eu assisti do Robert Altman, e agora é também o meu favorito dele. Não porque é diferente — Altman é um diretor que eu amo assistir, como ele cria e percorre por várias histórias que parecem sem rumo e sem conexão, mas que se complementam temática e emocionalmente. Não é bem isso que acontece em 3 Mulheres. Também é um filme de multiprotagonistas bem distintas, mas a trama é justamente sobre suas distinções começarem a se conectar e se confundir até que suas personalidades começam a trocar. É o diretor explorando aquilo que o interessa em seus outros filmes de uma forma absolutamente singular.

Não é à toa que o filme é fruto de um sonho do diretor. É palpável como é um filme que não respeita muito das lógicas que Altman aplica a seus filmes (acho que é o filme onde ele menos exercita sua empatia por todos os personagens) e como justamente isso parece criar essa sensação de surrealidade, onde nada parece fazer muito sentido, mas faz muito sentido estarem juntas nessa lógica própria que elas possuem. É lindo e perturbador. Sissy Spacek tem essa qualidade alienígena de dar a impressão que sua personagem se expressa e é aberta ao mesmo tempo que nunca é possível entender completamente seus sentimentos (é justamente o que faz sua personagem ser tão marcante também em Terra de Ninguém), e a Shelley Duvall tá sensacional percebendo que está vivendo num sonho real.

Assisti no Popcorn Time.


11/08

A estação espacial Estrela da Morte vista do espaço

Rogue One: Uma História Star Wars (Rogue One: A Star Wars Story, 2016)

Eu dei uma pirada no Letterboxd tentando explicar tudo o que esse filme faz de bom, e como ele ainda assim é decepcionante. O “problema” é que ele é decepcionante só no final — quando entrega um último ato onde finalmente um filme do Star Wars tem a coragem de se transformar em um filme de guerra, de observar os dois lados e ver o peso do conflito. É um excelente terceiro ato em um filme que simplesmente não o suporta. Ainda quer muito ser um filme Star Wars, e precisa pagar as cartas marcadas de ter uma história de honrar/questionar sua família para poder tornar-se o que é, e tem toda aquela nóia da Força que por algum motivo é o que mais chama a atenção nessa série desde os prequels. É uma pena, porque o diretor cria imagens fantásticas e não consegue sustentar elas nesse vai e não vai. Queria tanto que abrasasse o gênero que ele tá flertando, seria algo novo e fascinante para essa série, mas acabou se transformando em um Episódio 3.5.

Dois homens conversam em uma sala de projeção de cinema

Assisti no Telecine Play.

Grandeur et décadence d’un petit commerce de cinéma (1986)

É um telefilme do Jean-Luc Godard. Eu achei que seria bem mais acessível, mas na verdade é bem godardiano. Eu não tenho muita capacidade mental pro que Godard faz, mas eu sou fissurado em assistir o que ele faz mesmo assim. Aqui o que mais me interessou foi ver como ele usa a TV — ele tem uma excelente explicação do que diferencia TV e cinema que um dia tenho que postar por aqui — para contar uma história banal como essa. É bem mais ensaístico (e bem humorado) do que eu esperava que fosse pra um Godard dos anos 1980, e eu não tenho lá uma opinião formada por esse filme. É mais uma das descobertas que eu só tenho que agradecer pelo MUBI ter colocado em exibição.

Assisti no MUBI. Saiu no domingo.


12/08

Uma doutora escuta, através do estetoscópio, o movimento no estômago de um adolescente

A Garota Desconhecida (La Fille inconnue, 2016)

Eu tenho que me lembrar o quanto eu amo os filmes dos diretores Jean-Pierre e Luc Dardenne. São extremamente humanistas e contam essas pequenas histórias de pessoas tentando levar suas vidas enquanto enfrentam algo que evita que elas sigam em frente. Em A Garota Desconhecida, é sobre uma jovem médica que substitui um doutor em uma clínica familiar enquanto aceita uma oferta de emprego em uma clínica conceituada. Até que ela não abre a porta do consultório à noite e, na manhã seguinte, descobre que uma mulher morreu ali perto. É uma obra prima de delicadeza, como todos os filmes do Dardenne são, mas também é um filme de detetive, onde as ações da nossa detetive são basicamente cuidar e se importar com a comunidade que ela está atendendo. É belíssimo e extremamente sutil em sua abordagem — e nos lembra sobre como os problemas sociais que nos cercam também são nossos, mesmo que não nos afetem diretamente.

Assisti no Telecine Play. Eu recomendo muitíssimo, é um dos meus favoritos do ano.

Uma mulher olha ao redor assustada enquanto um assassino se aproxima dela por trás

A Morte Te Dá Parabéns! (Happy Death Day, 2017)

Perdi de assistir esse filme no cinema quando meus amigos vieram todos me recomendar e… bem, não gastei grana à toa, mas A Morte Te Dá Parabéns! é bastante divertido. Eu sou mais um fã de terror como Corrente do Mal e A Bruxa, onde a gente não entende muito bem o que está nos dando medo, mas A Morte Te Dá Parabéns! é quase que uma comédia de como os erros matam a protagonista até ela conseguir fazer um level perfect em um jogo onde o jogo é a própria vida dela. A sacada é boa e o filme aproveita pra fazer umas coisas bem divertidas. Com certeza vou assistir com a Aldry e a Paola quando a gente se juntar pra comer pipoca e brigadeiro de novo.

Assisti no Telecine Play.

Uma garota toma banho de piscina

Sharp Objects 1x6: Cherry (2018)

O primeiro episódio que eu não adorei de Sharp Objects é também um episódio que eu particularmente achei um saco. Eu adoro como essa série desenvolve muito mais a sensação da protagonista de estar na cidade onde passou sua infância e como tudo isso traz boas e más memórias e é difícil de escolher o que você vai sentir ao mesmo tempo, mas Cherry não explora nada novo, e ao mesmo tempo mantém o mistério — que serve como desculpa nessa série — em um banho maria bem sem graça. Talvez seja um episódio que realmente signifique algo quando a gente entender plenamente o que passa na cabeça de Camille e quando descobrirmos o que realmente aconteceu com sua irmã, mas caramba não precisava castigar tanto assim a gente, né?

Assisti no HBO Go.


13/08

Philippe Petit se equilibra na corda bamba estendida entre as duas Torres Gêmeas

O Equilibrista (Man on Wire, 2008)

Eu não esperava me emocionar tanto com a história do homem que fez a performance na corda bamba entre as Torres Gêmeas, mas James Marsh (o diretor do belíssimo Projeto Nim) está muito mais preocupado com as pessoas que se aventuraram a tornar tudo isso possível — e a empolgação delas para fazer essa performance, em tornar um espaço público tão não natural em um palco. É também um belo retrato de como isso foi o fim de um grupo de amigos, que seguiram para fazer outras coisas em seu próprio caminho depois, e o quão natural (mesmo que triste) é perceber que, depois de tanto, a gente não precisa mais fazer parte da vida das pessoas que amamos. Extremamente pessoal e inacreditável de assistir, O Equilibrista foi um ótimo filme pra começar a semana.

Assisti no Telecine Play.