Irrelefante

Eu vou tentar criar o hábito de escrever toda manhã sobre o filme (ou episódio de série) que eu assisti na noite anterior. Começando hoje.

Um prédio de ponta-cabeça na cidade de Moscou sob a luz do sol

Os Hinos de Moscóvia (Gimny Moskovii, 2018)

Parte da retrospectiva do Festival de Curtas de Oberhausen esse ano, eu fiquei fascinado o quão eficaz esse filme é. Ele trafega por Moscou com imagens em ponta cabeça, tornando nosso ponto de referência o céu. É um filme-ensaio que observa a arquitetura da cidade, e tornar o ponto de referência algo tão diferente realmente funciona: as construções (belíssimas) que o filme circula ganham uma nova proporção e suas formas perdem muito do sentido inicial, mas esse é exatamente o ponto. Tirando a referência do humano de perto e observando-as de um modo completamente diferente, Os Hinos de Moscóvia parece ter a liberdade de observar esses feitos arquitetônicos sem qualquer amarra. É uma pena que ele exiba prédios com referências humanas mais pro final, porque isso meio que acaba com a mágica do filme, mas até ali é surpreendente (e a trilha-sonora é belíssima).

Dirigido por Dimitri Venkov, eu assisti esse filme no MUBI (sai hoje à meia-noite).


Três pessoas deitadas em uma cama, cobertas por um edredom

Adeus Entusiasmo (Adiós entusiasmo, 2017)

Fiquei meio decepcionado com Adeus Entusiasmo, porque no início eu achei que ia amar: a história de uma família em um apartamento que parece um labirinto, com uma mãe que nunca aparece em cena e que a gente não entende muito bem a relação entre os irmãos e ela. Primeiro o filme parece que vai ser sobre essa situação e vai tentar explorá-la sem explicar. O filme nunca explica exatamente o que está acontecendo, o que é bom, mas parece que com o tempo ele vai ficando menos interessado justamente nisso, o que não é muito bacana, porque parece que todo o envolvimento que tu tinha com a ideia foi desperdiçada. Acaba que o filme está mais interessado com as pessoas externas àquela casa mais do que o que os une dentro dela, e isso faz com que a falta de noção do lugar perca muito sentido (a gente nunca tem muita ideia de que forma essa casa tá disposta ou qual seu tamanho, porque o filme usa um 2.85:1 que te tira a noção espacial desse ambiente cavernoso, algo que eu acho bacana). Acaba que o filme vira uma confusão de ideias, mas são ideias interessantes de se ver, mesmo que sejam desperdiçadas depois.

Dirigido por Vladimir Durán, parte da seleção Descoberta Especial no MUBI (sai de exibição em três dias).