Irrelefante

Resumo da semana no. 1

Essa semana eu comecei a trabalhar (!!) depois de quase cinco anos sendo um reles freelancer fazendo sitezinhos bacanas por aí.

Isso significa que eu não consegui assistir tantos filmes como eu andava assistindo ultimamente, pra minha tristeza (mas ei, agora eu vou ter dinheiro pra ir no cinema, eventualmente!). Como eu ficava bem cansado quando eu chegava em casa (mas essa semana provavelmente vai ser bem mais tranquilo), eu acabava assistindo apenas um ou dois episódios do meu remédio pra viver, Gilmore Girls, mas me dediquei esse final de semana a ver só coisa boa:

  • Jacquot de Nantes (Agnès Varda, 1991): uma homenagem da Varda pro seu marido falecido no ano anterior, Jacques Demy. É, como qualquer outro filme da diretora, uma delícia de assistir: cheio de adendos dela sobre como Demy se relacionava com as memórias de sua infância, e um verdadeiro sentimento de saudade. Recomendo muito, mas corre que sai do MUBI amanhã à noite.

  • Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, 1975): uma das obras primas da Akerman, esse filme de mais de três horas olha com um cuidado quase cirúrgico pra rotina da personagem título. É fascinante ver como, mesmo observando cada detalhe dela e dos seus afazeres, a gente acaba sabendo tão pouco sobre quem ela é e o que ela pensa. E sobre como ela se vê dentro daquela casa. Entrou no MUBI essa semana, mas aproveita uma folga pra assistir.

  • Close-up (Abbas Kiarostami, 1990): o mais aclamado filme de Kiarostami, e eu acho que talvez a mais incontestável obra-prima dele. É um lindo retrato de um homem que queria ser outra pessoa — como todos os personagens de Kiarostami querem — e que acaba encontrando na mentira um atalho pra descobrir uma verdade. É um dos meus filmes favoritos.

Essa semana quero ver mais! Tem dois do Fellini, mais Lean on Pete, do meu querido Andrew Haigh. E preciso jogar mais Zelda, tô com saudade de Hyrule.