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Firefox bloqueará rastradores, Google rastreia compras físicas com cartão de crédito

Eu li duas notícias hoje.

A primeira me deu um alívio: o Firefox 65 vai entrar na briga com o Safari e bloquear rastreadores automaticamente.

Nick Nguyen, no blog oficial da Mozilla:

Tracking slows down the web. In a study by Ghostery, 55.4% of the total time required to load an average website was spent loading third party trackers. For users on slower networks the effect can be even worse. (…)

In order to help give users the private web browsing experience they expect and deserve, Firefox will strip cookies and block storage access from third-party tracking content. We’ve already made this available for our Firefox Nightly users to try out, and will be running a shield study to test the experience with some of our beta users in September. We aim to bring this protection to all users in Firefox 65, and will continue to refine our approach to provide the strongest possible protection while preserving a smooth user experience.

Eu voltei pro Firefox no final do ano passado com o lançamento do Quantum, e eu não poderia estar mais feliz. Ele ainda não é tão leve quanto o Safari, mas é difícil de brigar com um aplicativo nativo da Apple. Mesmo assim, é bom ter um navegador full-featured como o Firefox com a sensação de estar com a melhor versão possível da internet à sua disposição. Ele não tá só rápido: ele tá responsivo e batendo forte ao redor dos novos padrões web, coisa que decaiu muito quando o Chrome assumiu a liderança dos navegadores.

É o tipo de estratégia que o Google usou pra destronar o IE, e Firefox e Safari (e, se a Microsoft se unir à briga, o Edge) quiserem, essa é a estratégia certa para derrubar a dominância do Chrome (e levar a onipotência do Google junto).

A segunda me deixou com aquele gosto amargo de novo: Google e MasterCard criaram acordo para rastrear compras físicas.

Bloomberg:

For the past year, select Google advertisers have had access to a potent new tool to track whether the ads they ran online led to a sale at a physical store in the U.S. That insight came thanks in part to a stockpile of Mastercard transactions that Google paid for.

But most of the two billion Mastercard holders aren’t aware of this behind-the-scenes tracking. That’s because the companies never told the public about the arrangement. (…)

Through this test program, Google can anonymously match these existing user profiles to purchases made in physical stores. The result is powerful: Google knows that people clicked on ads and can now tell advertisers that this activity led to actual store sales.

Segundo o Google, os anunciantes não podem ver quem compra o quê, a informação é anônima. Mesmo assim, só a possibilidade de conseguir rastrar o que está fora dos alcances do Google parece absolutamente errado. Dando esse tipo de informação pro anunciante dá indiretamente o poder a ele de rastrear o comprador para além do alcance dos seus anúncios (como se os rastreadores que o Google mantém na web se mantivessem no mundo real também).

Como aponta Yuyu Chen, isso é um problema porque é o Google que vende os anúncios e o Google que monitora o comportamento deles:

The issue of Google and Facebook grading their own homework is still a big concern for marketers, as recently underscored by WPP CEO Martin Sorrell. Because of the inherent conflict of interest, Crossmedia CEO Kamran Asghar said his agency would never use attribution services from Google or Facebook.

“We do our best to avoid any vendors — be it media or tech — that pose a conflict of interest,” said Asghar. “Google is a media company, and, therefore, clients should monitor it — and all channels — with credible third parties who are independent of selling media.”

O Google sempre foi anticonsumidor em suas tentativas de agradar o mercado publicitário. As estratégias do Google são muito semelhantes às do Facebook nessa verdadeira indústria do capitalismo de vigilância: obter o máximo possível de dados dos seus clientes, embaralhar o mínimo possível para não se ferrarem judicialmente, e entregar ao cliente publicitário.

É ótimo que empresas como Apple e Microsoft e fundações como a Mozilla estejam trabalhando para diminuir o poder do Google sobre a informação das pessoas que acessam seus serviços, mas é triste perceber que já é tarde demais: eles já estão correndo do outro lado da tela também.

Redesign

A página inicial do meu site

Ontem eu decidi fazer um redesign do meu site pessoal, algo que eu queria fazer há um tempo já. Eu nunca fiquei muito satisfeito com ele, e eu também nunca parei pra pensar o porquê, mas ontem eu sentei de noite e decidi refazer ele dentro de algumas horas. Na verdade eu ia assistir O Samurai do Jean-Pierre Melville, mas meu blu-ray não reconheceu o arquivo e eu tive que rever alguns episódios de Gilmore Girls e decidi que tinha que dar um jeito nesse site de uma vez.

A ideia principal era tornar ele simples e fácil de gerenciar. Eu queria fazer algo que refletisse bem o meu método de trabalhar — claro, simples, direto — e que, principalmente, envelhecesse bem. Então o design teria que ser algo que eu simplesmente não enjoasse só de olhar, que é basicamente o meu problema com cada um dos designs que já passaram pelo meu site.

O resultado final é um site basicamente de texto, usando as famílias de fonte padrão do sistema operacional e, mais importante, em preto e branco. Eu posso passar horas perdido tentando definir uma combinação de cores que me agrade pros meus projetos, e não era algo que eu gostaria de fazer com um site que deveria ser reprojetado em uma só noite, então eu segui pelo caminho mais simples (e gostei bastante).

Meu site agora está com apenas uma imagem (a do meu Mii, no cabeçalho) e pesa ao todo 89kb. Eu não carrego nenhum JavaScript, e ele tem apenas três arquivos HTML e um CSS mísero. E eu nunca estive tão contente com o resultado. É bem direto, mas é sutil em espaçamentos e legibilidade, e eu acho que reflete bem o meu método de trabalho com meus clientes. Eu espero que sim. Pela primeira vez eu vejo que meu site finalmente tem um design que vai me deixar feliz com ele por um bom tempo, e eu espero que não precise redesenhá-lo no próximo ano de novo como eu fiz umas três vezes em 2018. Ele está calmo, claro, e na medida certa pro que eu preciso daqui pra frente.


(Se você quiser fazer um site bacana, me envia um email e vamos conversar sobre como posso te ajudar).

Nessa ultima semana eu fiquei estudando uma maneira de como postar no blog pelo iPhone, agora que uma boa parte dos meus dias vai ser na estrada.

E pelo visto eu consegui!

Vou postar um pequeno tutorial ainda hoje explicando como eu fiz isso, pra quem quiser experimentar ou expandir a ideia. Aprendi um bocado sobre como os apps se relacionam no iOS com isso.

Então hoje eu acordei meio que inspirado e decidi que ia sentar e deixar o Pão com Mortadela de um jeito que preste. Acho que consegui.

Algumas mudanças:

  1. Agora dá pra acessar posts através de categorias.
  2. Removi as imagens de capa dos posts nos índices pra deixar o carregamento mais rápido.
  3. Dei um ~upgreide~ na tipografia, tá bem melhor de ler.
  4. Uns tapa nos espaçamentos porque plmdds.
  5. Tags agora funcionam!!! Finalmente Arthur!

Ainda falta:

  • Navegação entre posts.
  • Nuvem de tags (como a que tem aqui no Irrelefante).
  • Rolagem infinita? Talvez?
  • Schema através do JSON-LD.
  • Página de sobre e de enviar dicas. (importante!)

Espero escrever sobre o futuro do PCM essa semana.

Olá, Eliza!

Ontem meu primeiro tema público do WordPress foi disponibilizado no repositório oficial: diga olá pra Eliza.

Eu desenvolvi a Eliza em janeiro desse ano, quando eu tava trabalhando no Escrita. É um tema de revista que segue bastante o design e as necessidades que o Escrita precisava, então eu decidi fazer um tema redondinho pro site que ficou tão redondinho que eu decidi abrir a licença dele pra todos.

Eliza é fruto não só do Escrita, mas também do meu fascínio pelo início dos softwares de simulação de inteligencia artificial. A ELIZA original é uma psicoterapeuta simpatissíssima que eu recomendo vocês conhecerem.

Eliza, o tema, é como qualquer outro bom tema do WordPress: suporta o Personalizar, então você pode customizá-la com uma marca no lugar do nome do site e com dois menus de navegação (um no cabeçalho, outro no rodapé). Além disso a Eliza vem com uma barra lateral charmosinha porque blog que preste tem barra lateral (perdão meu blog, um dia eu faço uma pra ti também).

O código da Eliza é seguro, estável e legível — e pode ser conferido no repositório do projeto. Quando eu tiver uma folga do artigo que eu preciso escrever eu espero melhorar um pouco o comportamento do tema de um modo geral, padronizando links e tamanhos de imagem, além de dar suporte a umas coisas que o Charlie, um tema que eu estou fazendo, já tem: esquemas de cores personalizados e rolagem infinita. Eu aviso assim que fizer isso.

Inclusive! Eu fiz um minisite pra Eliza. É em inglês, é basicamente um leia-me, mas acho bacana ela ter um larzinho na internet.