Irrelefante

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Essa semana eu decidi assistir A Guerra do Vietnã, o documentário épico do Ken Burns (está na Netflix agora e eu recomendo demais). Como meu pai é um grande fã de História (e hoje em dia anda muito interessado na história do continente africano e como ele se desenvolveu de uma forma bem particular) ter algum assunto relacionado com história é uma boa pra puxar um assunto com ele.

Daí que a gente tava falando de como, entre as duas Grandes Guerras, ocorreu um momento de descolonização dos territórios africanos, e meu pai soltou “até a Bélgica, aquela merdinha de império, tinha colônias”.

Como é delicioso esse rancor da Copa.

Como eu comecei a me organizar e escrever melhor

Ontem eu tuitei sobre como eu desenvolvo as ideias que eu tenho em posts pra esse blog. No início do ano eu decidi que ia recuperar todos os vários blogs que tive desde que eu entrei no ensino médio em um só lugar (com exceção dos conteúdos pro Pão com Mortadela, que continuam onde sempre estiveram).

Esse meu “método” (se é que dá pra chamar assim) surgiu quando eu precisei descobrir um jeito de escrever a minha monografia ano passado. Demorou, mas eu descobri que eu preciso escrever em pé (?!), geralmente cedo da manhã (??!), depois de já ter a estrutura do que eu quero escrever pronta (…).

Fora as notas e links que eu posto aqui, que costumam serem bem mais curtos, eu ando postando posts mais longos e geralmente que demoram umas duas ou três semanas pra escrever. Hoje de manhã eu terminei minha quase-análise-quase-diário sobre The Sims 4: Estações, que é algo que eu venho trabalhando há umas duas semanas já, e vou usar ele como exemplo de como eu resolvi escrever mais em 2018, e como eu tô fazendo isso.

Não são duas semanas escrevendo. É algo como 80% lendo e pesquisando e os outros 20% planejando o post e redigindo ele de fato. Pro post sobre Estações eu precisei não só jogar o suficiente da expansão, mas também tentar organizar os meus sentimentos sobre a série como um todo. The Sims é algo que me acompanhou por vários momentos importantes da minha vida e eu precisava tentar decifrar o que ele poderia ter significado pra mim. Eu fiz isso através das minhas memórias com esses jogos, claro, mas também lendo as reações das pessoas sobre eles — seja da crítica ou seja dos fóruns (ainda bem que os fóruns do OSimBR ainda estão no ar). The Sims 2, que eu falo por uma boa parte do post, eu não jogo há uns bons dez anos e não tenho um Windows pra jogar ele de novo, então tudo o que eu escrevi sobre ele é baseado nas minhas lembranças emocionais e no que eu li (e lembro de ter lido) sobre o jogo.

Essa minha pesquisa por leitura vem toda com uma sondagem antes, e eu salvo todos os artigos que me parecem interessantes no Instapaper. Se você conferir o meu perfil no Instapaper vai poder ver as minhas anotações e os links que eu leio antes de escrever algo aqui.

É geralmente durante essa parte de leitura que eu compreendo o que eu exatamente quero falar. Eu escolho um tópico — o que The Sims 4: Estações resgatou na franquia — e espero por sete perguntas que eu possa ter em relação ao tema. Geralmente, essas perguntas variam de coisas mais simples:

  • quem faz (autor, quando aplicável);
  • o que faz (assunto — The Sims, no exemplo);
  • como isso é feito (forma — os pequenos momentos que Estações traz à jogabilidade);
  • onde isso é feito (o momento, ou o elemento, exato que a forma realiza o assunto — o Calendário de Estações); e
  • por que isso é feito (temas e subtextos — a conexão desses pequenos momentos de jogo com a vida do jogador).

Tendo essas perguntas, eu tento responder elas. Eu faço isso num caderninho genial que uma professora da faculdade me deu de presente de formatura: cada página tem sete linhas, e eu tento resumir essas respostas a uma frase:

Página do meu caderno com anotações sobre meu último texto nesse blog. As respostas para as minhas perguntas sobre The Sims 4 Estações.

Geralmente o texto segue esses pontos em ordem, porque a ideia se forma de um jeito mais fácil desse jeito — linearmente, conforme ela foi evoluindo na minha cabeça. No caso de um dos posts que eu estou pesquisando nesse momento, eu acho que não vai ser assim (é algo mais extenso, que eu provavelmente vou ter que usar textos mais teóricos, etc.).

É um processo, e com certeza não funciona pra todo o mundo. Eu conheço amigos que vão na tentativa e erro até a ideia sair formada de um texto que foi revisado inúmeras vezes. Eu tenho amigos que sequer revisam, o texto vive tão forte neles que eles simplesmente colocam na página com facilidade. Como eu sou muito prolixo e minhas ideias geralmente embolam antes de eu sequer pensar nelas, esse foi um bom método que eu usei pra organizá-las na hora de colocar no papel (eu faço muitas anotações na mão, o computador me distrai um bocado). Eu acredito que tô escrevendo mais claramente hoje, ainda bem. Se tem mais sugestões de como eu posso escrever melhor, me dá um toque.

Eu tô escrevendo dois posts um pouco mais longos essa semana e espero postar pelo menos um deles nesse fim de semana. Um é sobre o que The Sims 4: Estações trouxe de volta pra franquia, uma coisa que esteve ausente desde The Sims 2. A outra é sobre tudo o que tornou Os Incríveis no primeiro filme perfeito da Pixar.

Nada muito importante pra falar hoje, mas a pesquisa que eu tô fazendo pra esses posts é geralmente de leituras de artigos escritos ou sobre o mesmo período de tempo. The Sims 2 e _Os Incríveis _ foram lançados com meses de diferença e os dois lançamentos me marcaram muito. Tá sendo muito interessante e voltar a pensar nesse tempo da minha infância. Aquele foi um verão bem bacana.

Resumo da semana no. 1

Essa semana eu comecei a trabalhar (!!) depois de quase cinco anos sendo um reles freelancer fazendo sitezinhos bacanas por aí.

Isso significa que eu não consegui assistir tantos filmes como eu andava assistindo ultimamente, pra minha tristeza (mas ei, agora eu vou ter dinheiro pra ir no cinema, eventualmente!). Como eu ficava bem cansado quando eu chegava em casa (mas essa semana provavelmente vai ser bem mais tranquilo), eu acabava assistindo apenas um ou dois episódios do meu remédio pra viver, Gilmore Girls, mas me dediquei esse final de semana a ver só coisa boa:

  • Jacquot de Nantes (Agnès Varda, 1991): uma homenagem da Varda pro seu marido falecido no ano anterior, Jacques Demy. É, como qualquer outro filme da diretora, uma delícia de assistir: cheio de adendos dela sobre como Demy se relacionava com as memórias de sua infância, e um verdadeiro sentimento de saudade. Recomendo muito, mas corre que sai do MUBI amanhã à noite.

  • Jeanne Dielman, 23, Quai du Commerce 1080 Bruxelles (Chantal Akerman, 1975): uma das obras primas da Akerman, esse filme de mais de três horas olha com um cuidado quase cirúrgico pra rotina da personagem título. É fascinante ver como, mesmo observando cada detalhe dela e dos seus afazeres, a gente acaba sabendo tão pouco sobre quem ela é e o que ela pensa. E sobre como ela se vê dentro daquela casa. Entrou no MUBI essa semana, mas aproveita uma folga pra assistir.

  • Close-up (Abbas Kiarostami, 1990): o mais aclamado filme de Kiarostami, e eu acho que talvez a mais incontestável obra-prima dele. É um lindo retrato de um homem que queria ser outra pessoa — como todos os personagens de Kiarostami querem — e que acaba encontrando na mentira um atalho pra descobrir uma verdade. É um dos meus filmes favoritos.

Essa semana quero ver mais! Tem dois do Fellini, mais Lean on Pete, do meu querido Andrew Haigh. E preciso jogar mais Zelda, tô com saudade de Hyrule.

Poucos sabem mas eu tuito muito., O curioso é que nunca pelo Twitter. Quer dizer, até ser descontinuado em março eu tuitava pelo aplicativo oficial do Twitter para o macOS, meu aplicativo favorito desde 2010.

Desde março eu uso o Tweetbot, tanto pra macOS quanto pra iOS. Eu tenho meus poréns mas no geral é um baita app — desenvolvido cuidadosamente e com qualidade em cada detalhe. Quando ele me irrita, é geralmente porque ele oferece mais recursos no meu caminho do que eu realmente preciso.

Parece que vão ter mais recursos agora, porque a nova versão do Tweetbot foi lançada. Eu gosto da maioria das mudanças, mas a UI tá ainda mais superpopulada de “recursos”. Vou demorar um bocado pra me acostumar de novo.

Highland 2 me ajudou a escrever mais

A Quote-Unquote Apps lançou hoje o Highland 2, a nova versão do seu app de escrever roteiros.

Eu testei o Highland 2 nos últimos meses, e ele me ajudou a voltar a escrever, e a escrever mais. Ano passado eu tive um sério bloqueio de escrita, não só por causa da monografia, e o beta desse app foi uma das coisas que me ajudaram a superar esse bloqueio em março desse ano.

Muito disso veio da fluidez que é escrever no Highland. Ele usa uma linguagem de formatação chamada Fountain, uma espécie de Markdown feito pra escrever roteiros. Antes do Fountain (e do Highland) eu escrevia e formatava roteiros com um modelo que eu fiz no Pages usando uma série de atalhos pra estilizar diálogos, cenas e parentéticos. Com o Fountain, essa formatação é automática através da utilização de alguns caracteres.

Tipo assim: simplesmente escrevendo algo em caixa alta e quebrando a linha depois:

ELIZA
Eu lembro de quando eu e o Miguel…

Faz com que o Fountain “interprete” isso como um nome de personagem e uma fala:

Exemplo de um diálogo formatado no Highland

O mesmo acontece com guias de ação (CORTA ou CONTINUA). O Highland ainda suporta notas e escaletas, então tu pode comentar, apenas colocando o = antes, alguma nota. É algo muito útil pra “guardar” observações que tu tenha durante o teu processo de escrita. Eu tô sempre reconsiderando e revisando meus textos, e uso as notas extensivamente pra guardar ideias que eu possa expandir no roteiro. O Highland faz com que a gente se preocupe mais com as ideias que precisam ser postas na página do que formatar essa página — isso ele faz enquanto a gente escreve. É ótimo e libertador.

Esse tipo de coisa me ajudou a estabelecer um fluxo de escrita, e deixou minhas ideias correrem mais soltas. Claro, o Highland sozinho não salvou o meu dia (foi uma série de coisas, entre elas ler todos os dias antes de trabalhar), mas foi fundamental pra eu manter um ritmo de criar roteirinhos de cinco minutos quase que diariamente. Eu espero publicar alguns deles por aqui.

O Highland 2 está disponível de graça na App Store do macOS. Para recursos avançados, como remoção de marca d’água e modo Sprint (que eu nunca usei), é necessário comprar a versão completa dentro do app, que custa cerca de R$ 100. Valeu a pena pra mim, mas a versão básica já é suficiente pra começar a escrever mais.