Irrelefante

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Por mais que eu ame o meu Switch, eu fico abismado como a Nintendo cometeu uns erros inacreditáveis no projeto. Pra mim, o pior deles é o que impede que tu carregue o Switch enquanto usa ele no modo tabletop. Como a porta USB-C fica na embaixo do console, você não pode carregar ele enquanto usa o Switch em pé — mas a Nintendo vai resolver isso com um acessório.

Eu vou te dizer que foram poucas as vezes que eu usei o modo tabletop. Ele é bom em momentos bem específicos, como quando tu tá na casa de um amigo e não levou o dock e vocês querem jogar uma partida de Mario Kart 8. Eu uso especificamente quando estou em algum lugar longe do meu dock e quero jogar Super Mario Odyssey, que precisa dos acelerômetros dos Joy-Cons pra algumas ações específicas. Mas, como eu não sou um fã de Odyssey, eu nunca joguei ele muito longe da TV.

O problema é que eu não consigo imaginar uma empresa fazendo uma decisão dessas, colocando a entrada de força do videogame em um lugar inacessível em um dos modos que tu pode jogar ele? A bateria do Switch é boa (comigo dura em torno de cinco horas), mas jogar um cup do Mario Kart reduz a bateria em uns bons 10%. É impressionante que ele seja desenhado de tal forma — mas é mais um dos problemas do Switch que abriu todo um mercado de acessórios, e que agora a Nintendo vai entrar com uma opção mais cara (mas aparentemente mais robusta, o stand parece estabilizar bem o console).

O tabletop é com certeza o modo mais mal pensado do Switch. O pé que fica atrás do console é um plasticozinho sem vergonha que eu sem querer arranquei ao colocar o Switch no dock com o pé aberto já na primeira semana de uso. É uma ideia boa mas executada de uma forma tão ruim que a própria Nintendo parece ciente, antes de lançar o videogame, que as pessoas arrancariam o pé com frequência — há uma mensagem no canal de notícias avisando que, se tu fizer isso e o pé sair do videogame, é só encaixar de novo.

Vale lembrar também que a Nintendo ama amontoar seus videogames em cima das coisas.

Eu tenho o Switch há quase um ano mas eu continuo me impressionando com isso e aquilo.

Hoje eu acordei cedo (muito cedo) e fui jogar um pouco de Zelda. Eu tinha esquecido os controles fora do videogame e pensei que eles tinham ficado sem bateria, mas não. Eu nunca joguei a ponto da bateria dos joy-cons acabar, e eu já fiz umas partidas de mais de cinco horas seguidas.

É uns detalhezinhos como esse que fazem o Switch valer muito a pena. Ele parece que tá sempre pronto pra jogar, não importa quando nem como.

Pelo que a Kotaku tá vendo no Japão, o Labo não tá vendendo muito bem. Os números também não são muito bons no Reino Unido, segundo o Eurogamer.

É uma pena porque aparentemente o Labo é uma alternativa bacana e mais barata pro VR, uma tecnologia que eu provavelmente não vou ir atrás. Tem gente revivendo Jungle Beat de um jeito tosco, por exemplo. É muito bacana ver um videogame virar uma plataforma pras pessoas criarem algo assim.

Eu acredito que o Labo venda melhor a longo prazo, principalmente em datas como natal e dia das crianças, porque é tipo Lego. Acaba tendo pernas mais compridas porque não depende só da expectativa da primeira semana, e sim do quanto os projetos do Toy-Con Garage conseguem manter o interesse do público. Parte desse trabalho é da Nintendo de continuar expandindo a linha de maneiras mais interessantes (e pelo visto eles tão trabalhando nisso).

O Labo é um projeto super bacana que pode crescer e virar algo realmente impressionante (pra procurar um precedente, é só considerar que o Joy-Con é basicamente uma evolução do Wii Remote). Teve um cara que fez ele controlar uma cadeira de rodas:

Proxi é o primeiro jogo de Will Wright em dez anos

O Will Wright anunciou ontem o primeiro jogo dele desde Spore, há 10 anos: Proxi, um jogo pra celular que vai te deixar criar e jogar em mundos a partir das tuas memórias. Eu sei lá o que isso significa:

Dez anos atrás eu tava comprando um computador novo. Eu economizei o dinheiro de aniversário, natal e dia das crianças por um ano e meio pra poder comprar esse computador. Era um desktop Positivo, Pentium D (uma bobagem que veio antes do Intel Core Duo) e que tinha uma placa de vídeo dedicada, a GeForce 8600 GS. Era tudo o que eu queria.

Quer dizer, na época eu entendia essas coisas melhor, e sabia que Pentium D era o que dava pra comprar e que eu nunca ia economizar o suficiente pra comprar uma GeForce 8800, que era supostamente a única porcaria que rodava Crysis a mais de 7 fps com os gráficos no médio. Mas eu não queria jogar Crysis. Esse investimento todo era pra comprar Spore.

Eu comprei o Spore antes de comprar o computador. A edição especial bonitona entrou em pré-venda na FNAC e eu lembro que eu fiz o inferno na minha casa até meu pai aceitar que eu:

  1. Deposite os R$ 130 que eu tinha guardado pra isso na conta dele.
  2. Pegue o cartão de crédito dele.
  3. Contenha a minha emoção.
  4. Gaste esse dinheiro num jogo sem ter nem comprado o computador pra jogar ele.

Foi a primeira vez que eu fiz uma compra pela internet e foi a primeira vez que eu peguei um cartão de crédito na vida. Na época eu jogava The Sims 2 no computador que meu pai tinha comprado pra trabalhar, um Pentium 2 com 256 MB de RAM e um monitor de tubo com aqueles vidros com uma película que tu colocava na frente. Aquilo era demais.

Eu comprei o computador pra jogar Spore uns dois meses antes do jogo lançar. Spore chegou dia 5 de setembro, uma sexta, e minha mãe não deixou eu matar aula. Eu baixei o demo do Criador de Criaturas e fiz a minha primeira criatura. Era uma bosta. Eu nunca fui muito bom de criar no Spore, mas eu amava criar mesmo assim. Eu jogo Spore até hoje.

Eu não vejo a hora do Proxi lançar. Será que meu celular vai rodar ele?