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As melhores coisas de 2018 (por enquanto)

Chegamos em julho, uhul! Eu realizei um total de 0 (zero) coisas esse ano. Decepcionante, não é? Nem me diga

Mas julho significa que já vi metade dos filmes do ano, metade das séries já estrearam e metade dos álbuns eu ainda não ouvi. E pra manter tudo isso organizado, vamos ver as listinhas do melhor que eu vi/ouvi/joguei até agora.

Filmes:

  1. Lean On Pete (Andrew Haigh, 2017)
  2. The Florida Project (Sean Baker, 2017)
  3. As Boas Maneiras (Juliana Rojas e Marco Dutra, 2017)
  4. 120 Batimentos por Minuto (Robin Campillo, 2017)
  5. Deixe a Luz do Sol Entrar (Claire Denis, 2017)

Séries:

  1. Atlanta (2ª temporada, FX)
  2. The Americans (6ª temporada, FX)
  3. Silicon Valley (5ª temporada, HBO)
  4. Barry (1ª temporada, HBO)
  5. Crazy Ex-Girlfriend (3ª temporada, CW)

Jogos:

  1. Florence (iOS)
  2. Quarantine Circular (Windows, macOS)
  3. The Sims 4: Estações (Windows, macOS)
  4. Subnautica (Windows, macOS)
  5. Sushi Striker: The Way of Sushido (Switch)

Músicas:

  1. Oil of Every Peal’s Un-Insides (SOPHIE)
  2. Heaven and Earth (Kamasi Washington)
  3. Viagem ao Coração do Sol (Cordel do Fogo Encantado)
  4. Both Directions at Once: The Lost Album (John Coltrane)
  5. Everything is Love (Beyoncé e Jay-Z)

Os cinco melhores de 2017

No fim do ano passado eu tinha postado em algum lugar o meu top 5 do ano. Eu não sei porque mas ele se perdeu de alguma forma então eu decidi postar ele aqui de novo.

Eu faço uns top 5 todo o ano que é basicamente uma pequena listinha das cinco melhores coisas que eu vi/li/joguei/etc. no último ano, e em 2017 teve muita coisa boa e eu acho que não é uma boa a listinha se perder. Nos últimos anos eu postava essa listinha no Pão com Mortadela, o blog que eu escrevia com os meus amigos. Em 2014 eram 10, em 2015 a gente fez cinco e mais cinco e em 2016 também teve. Como eu fiz o desse ano sozinho, não acho que é uma boa postar lá.

As regras são as mesmas: são as melhores cinco coisas diferentes que eu experimentei no ano. Por “diferente” entenda: não pode ter dois álbuns ou dois filmes, por exemplo. Eu coloco uma pequena listinha com aquilo que eu também gostei depois. Como é muito difícil eu ler um livro do ano, eu geralmente deixo livros e HQs sem o limite de tempo. Começando:

5. S-Town

(Link) Não teve nada como S-Town esse ano: um podcast que explora a cultura dos profundos Estados Unidos, sobre como as pessoas que vivem no interior do país experienciam histórias, e sobre como elas contam essas histórias depois — e o que, no final das contas, essas histórias falam sobre elas mesmas. É um íntimo retrato de um homem que vive no Alabama, contado por Brian Reed que se baseia muito no gênero gótico sulista, misturando fatos e histórias que dizem ser fatos e mentiras esdrúxulas no mesmo saco. É uma jornada desconfortável pela mente de um John B. McLemore, tão íntima que talvez não devesse existir, e que revela muito de quem somos hoje, e o quanto a gente carrega dos outros dentro de nós.

Outros links bacanas: The Next Picture Show continua sendo o melhor podcast sobre filmes por aí; Maureen Ryan consegue explicar porque The Leftovers é sobre tudo; Heather Alexandra acerta em cheio quando desvenda o porquê de Breath of the Wild ser um jogo tão íntimo.


4. No Shape

(Álbum) Eu nunca ouvi nada que capturasse tanto o meu estado de espírito em 2017 quanto No Shape, o novo álbum do Perfume Genius. Todos os trabalhos anteriores do PG eram sobre a decadência, e aqui não muda. No Shape é um pesado álbum de protesto, um recorte de como é se declarar queer hoje: das ideias que é preciso acreditar e propagar, do preconceito que existe tanto no lado de fora quanto no lado de dentro. Mais do que isso, porém, No Shape é uma busca por um refúgio, onde podemos ser quem queremos ser e o que realmente somos até chegar lá. Um lugar que não existe, o Perfume Genius acredita, mas que se cria quando você encontra a intimidade. No início de No Shape, Mike Hadreas pergunta “How long must we live right/Before we don’t even have to try?”. Ele não responde, mas devaneia: “Never thought I’d sing outside. I’m here,/How weird”. Em um mundo que acredita que nós não devemos existir, termos a chance de sermos o que somos é um privilégio. Sermos amados por isso é muito mais do que poderíamos esperar.

Outros álbuns bacanas: DAMN., do Kendrick Lamar, é essencial. I see you é o melhor álbum do the xx até aqui. Ainda bem que o LCD Soundsystem voltou com o Americam Dream. A Lorde superou o álbum de estreia com o excelente Melodrama. Todo mundo deveria ouvir Linn da Quebrada e o excelente Pajubá.


3. Certas Mulheres

(Filme) O meu amigo que recomendou Certas Mulheres foi bem direto: “é o tipo de filme que tu vai adorar”. Bem, o Leo acertou: Certas Mulheres, o novo filme da Kelly Reichardt, que foi lançado direto em DVD por aqui no ano passado, é um dos meus filmes favoritos. É um filme calmo e quieto, onde a gente conhece as suas três personagens estando com elas, acompanhando as suas rotinas e as observando de um jeito que parece que Certas Mulheres entra na mente delas. A Reichardt faz isso criando histórias simples — uma advogada precisa lidar com um cliente problemático; uma mulher precisa negociar pedras com um homem velho que não quer vendê-las; uma garota descobre sentimentos por uma professora substituta — e quase que explicitamente tirando qualquer outro significado que elas possam ter. No final das contas, o que existem nessas histórias são certas mulheres tentando levar seus dias em frente e, no caminho, recebendo o peso do mundo sobre elas. Tirando os possíveis significados de suas imagens, Certas Mulheres enche elas de sentimento. O resto fica pra nós lidarmos.

Outros filmes bacanas: Docinho da América foi direto para a Netflix (e agora está na HBO Go), mas é um filme tão grandioso que mal cabe na tela. Eu chorei ao final de De Canção em Canção (agora no Netflix), um dos filmes mais desesperadores de Terrence Malick; o Toni Erdmann da Maren Ade é simplesmente um dos melhores e mais geniais filmes já feitos. Z: A Cidade Perdida cria um épico com a beleza e a delicadeza de todos os outros filmes do James Gray.


2. The Legend of Zelda: Breath of the Wild

(Jogo) Pra um jogo tão monumental como The Legend of Zelda: Breath of the Wild, só o fato dele ser capaz de modernizar, e melhorar, a mecânica de mundo aberto e de simplesmente criar o melhor Zelda até aqui já é um feito gigante. Ser um jogo que se relaciona tanto com o jogador, que faz ele se tornar íntimo de Hyrule a ponto de sentir que ele é um ambiente realmente vivo, não pela beleza dos cenários mas pela complexidade da geografia, que surpreende a cada colina e a cada riacho. Ajuda que ele é, também, um divisor de águas no game design do mundo aberto como um tabuleiro para o jogador e que ele muda completamente a mecânica de Zelda — e, por extensão, qualquer outro jogo de ação-aventura por aí. Ou talvez simplesmente porque é o melhor simulador de subir árvores por aí. Vai saber. Há muito pra se descobrir em Breath of the Wild ainda.

Outros jogos bacanas: Everything é sobre tudo, mesmo, e uma experiência única. O desafiador e estranho Gorogoa acaba sendo um dos jogos mais emblemáticos que eu já joguei. Horizon Zero Dawn é lindo, mas também foi um jogo que envelheceu depressa demais. A história de Nier Automata pode ser estranha pra caramba, mas me emocionou demais. Super Mario Odyssey é uma pequena decepção pra mim, mas honestamente mesmo assim é um show de genialidade e de game design que só o time do Mario sabe fazer hoje em dia.


1. The Leftovers, terceira temporada

(Série) “Eu queria que todos estivéssemos prontos”, entoa a canção que abre a última, e melhor, temporada de The Leftovers. Eu queria, também. Depois de assistir a mais inventiva e fascinante série de 2017, eu não conseguia falar. Não por dor, como alguns dos personagens ficaram após a Partida. Eu tive aquele silêncio estranho, um tanto alegre, que acontece quando tu sente algo muito forte, que parece que uma parte do teu corpo foi tirada de ti. O vazio que fica no lugar é estranho e misterioso, e também reconfortante. Conveniente para uma série que é capaz de rir do fanatismo de seus personagens ao mesmo tempo que explora, com muita precisão, a dor de saber que o mundo não é o nosso lar como a gente pensa ser.

The Leftovers é isso: estranho e misterioso. É aquele tipo de série que te permite cavar a cada segundo, e ele sempre vai te entregar algo de novo, mas também sempre vai te dizer que isso não é o suficiente. É uma série que me ensinou a esperar por nada, e se satisfazer com tudo. Em The Leftovers a fé — em qualquer coisa: em xamãs, em pássaros dentro de caixas, no leão que devora a face de Deus — é capaz de torcer a realidade, fazer com que tudo seja real e tudo seja falso. Esse mundo que ficou, torcido e irreconhecível, é aleatório e mortal. Pelo menos nós ainda estamos aqui, e temos um ao outro. Em The Leftovers, a verdade não existe nas pessoas, mas nas histórias que existem entre elas. Essas, sim, são capazes de torcer a verdade. The Leftovers torceu o seu mundo na última temporada. É a melhor série que eu já vi.

Outras séries bacanas: a primeira temporada de Atlanta (na Netflix) é genial. A segunda temporada de Crazy Ex-Girlfriend (na Netflix) eleva uma boa e espertalhona série ao posto de melhor comédia hoje. The Deuce (na HBO Go) traz de volta David Simon em uma série que tem de tudo pra ser a nova The Wire. A primeira temporada de Legion (na Netflix) é divertidíssima e inventiva. A segunda temporada de Insecure (na HBO Go) é um belo retrato de se sentir perdido no meio dos amigos. O mundo não para na última temporada de Halt & Catch Fire, e ver os personagens lutando com ele é único. Não existe nada como a terceira temporada de Twin Peaks (na Netflix), e isso me deixa empolgado pelo que está por vir na TV.